sábado, 7 de maio de 2016

Escrita aberta

Dizem quem canta seus males espanta.
Oras e quem escreve também não espanta?
Ou será que atrai?

Mesmo na ausência de escrever no blog, as redes sociais tem servido como área de extravasamento escrito.

As palavras ainda serpenteiam pela mente e devem escorrer pelos dedos, muito melhor que pela boca. Pois por esta proferida nunca mais retorna, enquanto escrita ainda pode ser apagada, corrigida, trocada e modificada.

A tempos ando cheia de passado. PASSADO.
Me sinto um tanto deprimida, pelas ausências e pelos excessos.
Lembro diretos dos exs....
Ex.
Não é abreviatura de exemplo , é EX.
Do ex que reclamava que não podia por a mão na bunda, que tinha vergonha de andar ao meu lado.
Do ex que que falava baixinho, mas guardava um vozeirão que nunca usava, com ar tímido, que por sua vez também não era feliz ao meu lado.
Do ex que dormia de calça jeans....

Sim. 
É tudo verdade.

Sim a culpa é minha que não soube escolher, já que cabe a mulher nesse latifúndio selecionar o homem seu parceiro - e ter a certeza que o individuo não ira mudar por decreto nenhum no mundo.
Diferente das mulheres que mesmo que elas não quisessem mudar - elas são um torpedo de hormônios e emoções todo mês e ainda podem se tornarem mães - e ai ferrou tudo.

Exagero nas afirmativas para dar enfase que essa lógica ainda não foi quebrada.

A culpa é minha por acreditar não que o individuo vai mudar, mas pelo fato de simplesmente de que ele vai aceitar o pacote de mudanças constantes e que precisa de muita coragem e motivação todos os dias para aceitar o que se é.

Meu erro foi não amar a mim mesma, numa esperança de reflexo no outro, de acreditar que estando com alguém e tentando faze-lo feliz bastava para me sentir feliz também; num processo  de realização de prazer.
Tudo farsa.

Ao ler tudo isso pode pensar como está se expondo....
Preciso expor as minhas feridas.
As minhas canelas abertas
As dores da chicungunha
O meu coração partido e dilacerado....
Na tentativa certa ou errada de aliviar a dor e espantar a depressão.

Talvez ninguém entenda nada, mas é horrível estar com alguém que te trata com indiferença, com arrogância ou como dono.

Para que as palavras tenham cura e muito amor aos dedos, mentes e corações.
Aos que não entenderem podem perguntar - não tenho vergonha de contar. 


sábado, 5 de março de 2016

IVAN LINS Ai, Ai, Ai, Ai, Ai

Verdades ou Mentiras

Lá pelos anos de 1985.... já se cantava verdades ou mentiras ... jogo de esconde esconde....
Nós temos memória muito curta.
Alguns colocam a culpa na Ditadura Militar. Que o regime impedia que se falasse abertamente sobre nada.
Outros dizem que isso só ocorreu nos grandes centros ... que lá pro interior do Brasil isso nem se sabia.
A Ditadura calou o que se convencionou chamar vermelho a sociedade socialista - comedora de criancinhas, pra terem certeza disso basta pesquisar um pouquinho as propagandas da época, tanto Norte Americanas quanto as que chegaram aqui. E por favor não confundam com a Ditadura do Estado Novo Getulista - são coisas distintas e com focos particulares.
A Ditadura provocou arte - uma arte ora ingenua outra vanguardista - que tentava falar daquilo que lhe doía, sem ter que passar pelo porões da CODI.
Hoje pleitiamos uma arte contemporânea onde até a morte efêmera é tratado como belo, vira vídeo, vira quadro, vira música, vira show e vira notícia. 
O tempo todo inúmeros vídeos são postados sobre violência, alguém apanhando ou batendo, ou estuprando, ou matando ou denegrindo alguém por alguma bobagem. Afinal a humilhação virou motivo de piada, tem que ser documentada e "viralizada" na internet.
Nossos valores se inverterão.
A Ditadura errou feio nos seus porões.
A Contra Cultura não fez a paz mundial - ela criou ou proporcionou um fanatismo celetista - com grupos de acordo com seus padrões .... 
Compramos essa Gororoba como o melhor prato feito do dia. Tudo tem revês.
Esse é nosso revês nem 8 e nem 80.
Hoje o belo é a carne exposta, o sangue jorrando, o olho por olho. A verdade que estamos ficando cada vez mais animalizados - e menos racionais e humanos. O outro vale menos por que não compartilha o meu gosto; o outro é ruim porque não aceitou o presente; o outro é covarde porque não bateu.

Talvez eu seja muito crítica. O povo sempre gostou de um jeitinho ... e eu que acredito ainda numa utopia de que se todos se ajudassem viveríamos melhor. O sonho acabou. Benvindo realidade desastrosa.

Vivemos num tempo de faz de conta, a verdade ora é mentira e a mentira vira verdade. Não temos confiança na politica que podemos fazer e acreditamos que podemos fazer tudo. E podemos? Então a morte e a vida não significa nada.

Verdades E Mentiras
Sá e Guarabyra
Compositor: Sá/Guarabyra

Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Porque que a cara feroz da mentira nos pode trazer
tanta felicidade
Porque que na hora da grande verdade às vezes o povo
se esconde se esquece

Verdade....esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobre
Qual deles mais desce

Verdade....esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Tem gente que jura que a vida é virtude
Tem gente que faz o bem por falsidade
Não há no universo uma força que mude
O dom da mentira, o som da verdade
A lábia do sábio, a arma do rude
São Deus e o Diabo unidos na prece

Verdade....esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá.... mentira
esconde esconde, esconde
tudo tudo se esconderá
verdade... esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá...mentira
esconde esconde, esconde
tudo tudo se esconderá

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Deus e o Diabo na Terra do Sol

Glauber Rocha foi primoroso na sua obra cinematográfica e na música da obra.
Quem dera ser um desse personagens ... Satanás, São Sebastião, Antonio das Mortes e Corisco.
Tem gente que se diz Santo e quem se diz o Diabo. Mas daí vem o anjo da morte e não diz quem é bem e mal.
Gosto de Corisco.

Perseguição - Sertão Vai Virar Mar
Sérgio Ricardo
Compositor: Glauber Rocha E Sérgio Ricardo

Se entrega, Corisco!
Eu não me entrego não!
Eu não sou passarinho
Pra viver lá na prisão!
Se entrega, Corisco!
Eu não me entrego não!
Não me entrego ao tenente,
Não me entrego ao capitão,
Eu me entrego só na morte,
De parabelo na mão!

Mais forte são os poderes do povo!
Farreia, farreia, povo,
Farreia até o sol raiar
Mataram Corisco,
Balearam Dadá.

O Sertão vai virar mar,
E o mar vai virar sertão!

Tá contada a minha estória,
Verdade, imaginação.
Espero que o sinhô tenha tirado uma lição:
Que assim mal dividido
Esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem,
Não é de Deus nem do Diabo!



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

CURTO

Curto
Curta
 Encurto

Num curto circuito
Energia se embate
Gerando vida

Na curta vida
Se curte adoidado
Encurtando a saída

Na saída da boate
ainda curtindo a bebida
uma tequila equilibrada na saliva
encurta a dor e a sorte
de um amor sem cor.

Na cor do sol nascente
Curte-se
toda a energia quente
pulsante
Trazendo um alargar de sorrisos ardentes
Curtindo a pele queimar com sal e areia

O dia finda
encurtado no inverno
audacioso no verão
Curte-se a vida
não a encurtando
em cercando de curtoscircuitos
em causando choques em contra mão
mas vivendo-a em intensidade de curtos segundos intensos tenso felizes
em curtas doses de paixão e altas doses de amor
alongando as curvas todas a cada manhã
curtindo o estar vivo.....

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A outra

Sobe um escada, abre a porta      
Entre aberta, observa
No quarto a outra
Outra cor
Outra luz
Outra coisa

Escondido o outro te olha
Te deseja
Te contém
Mas te reprimi

Na janela vizinha
o casal ja desnudo
o outro
só se contempla

A outra
se esforça
Se ergue e enfrenta
Mas apenas lamenta

As outras se queixam
do cabelo
da unha
da novela
e aquela fica sempre esquecida  pra trás

A outra face
é dada a porrada
apanha
sangra
chora
rebate com a outra face tal qual a primeira

A outra
Entra sem pedir licença
Faz ninho
casa e passarinho
a que estava vai sendo esquecida devagarinho

A outra
amante
amiga
irmã
nunca quase cabem na mesma mulher

O outro se esconde
desce as escadas
observar sob as frisas da porta
as palavras dadas para enganar.

Sempre tem um outro/a
a espera
ou a encontro
ou perdido
enquanto o que está se ausenta.

sábado, 21 de novembro de 2015

No fim de tudo

Há tempos sem escrever neste espaço, mais por falta de tempo do que de pauta.
Nestes dias de primavera, o calor tem sido de verão e as noticias dos fim dos tempos.
Uma onda de terror abala a Europa, em plena Paris.
Aqui ao lado, em Mariana, cidade histórica cheia de recantos, uma avalanche de detritos minerais invadiu a cidade; a represa de drenagem da mineração se rompeu, devastando um dos principais rios da região sudeste - o Rio Doce - um crime ambiental que não tem reparo para mais de 14 cidades que vivem a margem do rio e dele tiravam sustento e abastecia as cidades. Estrago que talvez em 30 anos consiga ser minimizado, mas não consertado.
O ano não acabou, os sonhos ainda precisam ser refeitos e conquistas realizadas.
O Estado do Rio está em eminencia de falência financeira.
O assunto do ano foi a inflação e crise econômica -  agora ela deu as caras - o natal ja chegou antes mesmo de começarmos a pensar nele.
O simbolo do Natal do Rio também sofreu um choque, antes de estar pronta a arvore da Lagoa se entortou com o vento da semana....

Entre tanta tragedias, no cinema estreou Chatô - o rei do Brasil, depois de 10 anos de delongas para sua conclusão e divulgação. Como Chatô o filme tem um ar de obra de arte como uma construção de um ser amado e odiado, faz da comunicação sua principal ferramenta de acordo com os seus interesses, onde a influencia vale tanto quanto o dinheiro.

A cidade ainda vagueia sobre seu aniversário, muito deslumbrando uma sombra odiosa do Pereira Passos.
Entre um vão e outro os trilhos do  VLT vem surgindo nas ruas do centro da cidade, reconstruindo ou reconduzindo as vias de acesso. O ressurgimento da Praça Mauá como área de lazer e de encontro, tem ficado bonita todos os dias. Logo volto a ver a Av. Central de mar a mar, esquecemos os contornos dos sacos e enseadas - aterrados de sombras, escombros e deslizes.

No fim sempre teremos um recomeço, mesmo que esse não seja como esperamos.
Daqui a mais uns dias um novo ano inicia-se e tudo que foi prometido será prometido novamente; um novo ciclo do sol sobre tempo escaldante.

domingo, 26 de julho de 2015

Abraço

Abraço
Em cada braço, uma fita.
Uma fita que da um laço, um laço bem dado
Que envolve
Que aperta
Que aquieta
Que desperta

No laço do abraço
Só tem os braços e o pulso do coração marcando

Dentro do abraço
Do laço
Cabe quase tudo que pulsa
Cabe amor
Amizade
Carinho
Raiva
Desejo
Inveja
Felicidade...

No abraço
Sempre tem conforto do laço
E o medo do aperto ser maior que o corpo.
Abrace
Lace
E enlace a si e ao outro
Em qualquer tempo

Com o tempo os abraços  afrouxão
Corações e mentes.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pedra e Água

De gota em gota ... a água fura a pedra.
A pedra dura, firme e estupida.
Fura.
A água macia, fluida e frívola.
Fura
Fura
Fura

Em tempo em tempo, tudo passa. Logo tudo se esquece
Esquece-se no tempo
Com tempo
Sem tempo
Em tempo
Tudo passa....

Eu quero tempo e ser água
Sou página rasgada sobre rocha intacta.
Peço a água quebre meus dogmas e transborde meu papel
Peço a pedra seja por vezes branda e que a água seja mais veloz.

Veloz ...
de gota em gota ... devagar ...
se rompe o que se contem ou que conteve ...

Com tempo
Em tempo
Fluído.

domingo, 1 de março de 2015

450 anos Cidade Maravilhosa

É aniversario da Cidade maravilhosa!

Não é todo dia que se comemora 450 anos.
Mas bem que esses 450 anos poderiam ser bem melhor comemorado...
Fato que a cidade tem 2 datas de aniversário o que faz qualquer um meio doido...
Tem gente que acha que o dia é 20 de janeiro - dia do Padroeiro da cidade - dia de São Sebastião. Que de fato é uma data importante para cidade.
E a data de 1 de março dia da fundação da cidade por Estácio de Sá.

A cidade anda em polvorosa. O transito caótico. Obras para todos os lados.
As conversas falam da falta d'água e da provável falta de energia.
A cidade cresce em ritmo de bateria de escola de samba.
E antes que acabe em pizza todo o carnaval..
E melhor que termine mesmo com pasteis e cerveja gelada.

Entre um compasso e outro, a cidade anda na corda bamba da sua redescoberta constante.
Ela transpira o tempo presente de forma alucinante.
Que ela aguente essa tranqueira para no futuro alguém contar mais 450 anos de história.










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