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sábado, 21 de novembro de 2015

No fim de tudo

Há tempos sem escrever neste espaço, mais por falta de tempo do que de pauta.
Nestes dias de primavera, o calor tem sido de verão e as noticias dos fim dos tempos.
Uma onda de terror abala a Europa, em plena Paris.
Aqui ao lado, em Mariana, cidade histórica cheia de recantos, uma avalanche de detritos minerais invadiu a cidade; a represa de drenagem da mineração se rompeu, devastando um dos principais rios da região sudeste - o Rio Doce - um crime ambiental que não tem reparo para mais de 14 cidades que vivem a margem do rio e dele tiravam sustento e abastecia as cidades. Estrago que talvez em 30 anos consiga ser minimizado, mas não consertado.
O ano não acabou, os sonhos ainda precisam ser refeitos e conquistas realizadas.
O Estado do Rio está em eminencia de falência financeira.
O assunto do ano foi a inflação e crise econômica -  agora ela deu as caras - o natal ja chegou antes mesmo de começarmos a pensar nele.
O simbolo do Natal do Rio também sofreu um choque, antes de estar pronta a arvore da Lagoa se entortou com o vento da semana....

Entre tanta tragedias, no cinema estreou Chatô - o rei do Brasil, depois de 10 anos de delongas para sua conclusão e divulgação. Como Chatô o filme tem um ar de obra de arte como uma construção de um ser amado e odiado, faz da comunicação sua principal ferramenta de acordo com os seus interesses, onde a influencia vale tanto quanto o dinheiro.

A cidade ainda vagueia sobre seu aniversário, muito deslumbrando uma sombra odiosa do Pereira Passos.
Entre um vão e outro os trilhos do  VLT vem surgindo nas ruas do centro da cidade, reconstruindo ou reconduzindo as vias de acesso. O ressurgimento da Praça Mauá como área de lazer e de encontro, tem ficado bonita todos os dias. Logo volto a ver a Av. Central de mar a mar, esquecemos os contornos dos sacos e enseadas - aterrados de sombras, escombros e deslizes.

No fim sempre teremos um recomeço, mesmo que esse não seja como esperamos.
Daqui a mais uns dias um novo ano inicia-se e tudo que foi prometido será prometido novamente; um novo ciclo do sol sobre tempo escaldante.

domingo, 1 de março de 2015

450 anos Cidade Maravilhosa

É aniversario da Cidade maravilhosa!

Não é todo dia que se comemora 450 anos.
Mas bem que esses 450 anos poderiam ser bem melhor comemorado...
Fato que a cidade tem 2 datas de aniversário o que faz qualquer um meio doido...
Tem gente que acha que o dia é 20 de janeiro - dia do Padroeiro da cidade - dia de São Sebastião. Que de fato é uma data importante para cidade.
E a data de 1 de março dia da fundação da cidade por Estácio de Sá.

A cidade anda em polvorosa. O transito caótico. Obras para todos os lados.
As conversas falam da falta d'água e da provável falta de energia.
A cidade cresce em ritmo de bateria de escola de samba.
E antes que acabe em pizza todo o carnaval..
E melhor que termine mesmo com pasteis e cerveja gelada.

Entre um compasso e outro, a cidade anda na corda bamba da sua redescoberta constante.
Ela transpira o tempo presente de forma alucinante.
Que ela aguente essa tranqueira para no futuro alguém contar mais 450 anos de história.










quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Pedra da Gávea - discussão para o FEMERJ

De alguns lugares da cidade se à vista uma pedra com  rosto, muito a chamam de Gigante deitado;
Chama-se Pedra da Gávea.

Do alto dos seus 844 metros de altitude  a visão que temos é da Praia de São Conrado e da Barra. Contudo chegar lá pode não ser uma tarefa fácil.
Este fim de semana mais um turista morreu num acidente subindo a Pedra. Então você pensa ele estava escalando sem equipamento para ter morrido, pois nos sites de turismo dizem que seu acesso é tranquilo porém pesado. Quanta despretensão que temos sobre um morro carioca.

Alerta tem que ser dado.

Os grupos de turismo ecológico buscam que as autoridades do Parque da Tijuca coloque no local chamado "carrasqueira" um cabo de aço para dar mais segurança e mais facilidade de acesso ao local.

Os clubes de montanhismo da cidade que organizam eventos, preparam guias, monitoram vias de acesso, divulgam trabalhos sobre preservação e uso sócio-ambiental das trilhas da cidades são contra colocarem um cabo de aço no local, pois vai aumentar o uso da via aumentando o impacto ambiental, assim como vai criar uma falsa segurança no local, criando talvez mais vitimas no local.

Fato que falta é informação. A Pedra da Gávea pode ser muito fácil para um escalador experiente, mas pode ser algo muito difícil para quem nunca fez nem o Morro da Urca.

Existem vários parques no Brasil em que existe limite de visitante para o acesso de áreas do parque, além de exigirem que o grupo tenha um guia de turismo ecológico ou de montanhas credenciado aos devidos órgãos e tenha registro no parque provando que conhece as trilhas do lugar. Isso passa credibilidade, segurança e satisfação de que fará um passeio ecológico prazeroso.

Quanto a Pedra da Gávea vale a discussão de colocação de placas informativas dos riscos de acesso, melhor orientação das guaridas do PNT, melhor orientação sobre os riscos e a necessidade de uso de equipamento de segurança para a pratica do montanhismo tanto pelo parque quanto pelos órgão de turismo e pelos grupo de turismo ecológico. Pois segurança na montanha ou nos morros - não é artigo de luxo - é carinho e respeito por si e pelo outro.
O montanhismo é união de pessoas pelo prazer do desafio da altitude, mas esse prazer passa em um ajudar o outro a conquistar o cume da montanha, e esse prazer no coletivo só quem faz sabe o quanto vale.

Precisamos pensar no melhor para todos. A Pedra da Gávea faz parte do desenho e do imaginário carioca, alcança-la pode ser um premio de reconhecimento de seus próprios limites como pode ser também fim de um sonho. Respeita-lá como rocha também deve ser dever de todos que querem acessar suas vias, nós não somos rocha - somos
barro e quebramos com facilidade.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Vende-se

Vende-se.
Para vender antes se teve que comprar ou adquirir.
Apesar de que no mercado de ações vende-se a descoberto - isso quer dizer vender ações que ainda não se têm.
Vende-se.
São as placas que encontramos hoje aos montes pelas ruas, pelas janelas das casas e apartamentos.
Vende-se.
Não são sonhos ou conquistas e muito menos esperanças. Vende-se imoveis e moradias.
De repente e não mais que de repente o boom imobiliário grita: Vende-se!
Há de pensar-se que alguns anos atrás os imoveis estavam mais acessíveis a classe média, tanto alta como baixa, para aqueles que tinham dinheiro para investir. Hoje o mercado imobiliário está na crista da onda no valor máximo dos imóveis, de uma forma que a muito tempo não se via tantos imóveis sendo vendidos, ofertados e construídos pela cidade.
Ora vamos! A cidade precisa crescer, expandir-se para os lados, para cima e para onde antes a especulação imobiliária exitava pensar em entrar.
 Hoje surgem novos empreendimentos em Santa Cruz e Campo Grande, que até 10 anos atrás eram tidos como algo pouco provável, assim como outras áreas tida como distantes e esquecidas pelo governo - tem recebido empreendimentos imobiliários grandes, com condomínios com tudo que se tem direito: piscina, academia, portaria, salão de jogos. 
Outro exemplo está próximo ao Norte shopping, que há 30 anos atrás era apenas uma área entre Del Castilho, Engenho de Dentro, Todos os Santos e Maria da Graça, uma região que detinha empresas e indústrias, que por conta da politica econômica do município fez que muitas fechassem as portas ou fossem embora; com a construção de um shopping  na região dinamizou a vida social nestes bairros, porém só nos últimos 10 anos é que a especulação imobiliária investiu em novos empreendimentos nesta região, que cresceu mais de 30% do que era durante todos os anos 90.
Logo, os novos empreendimentos, cujo já possui moradores logo apresentaram placas: vende-se.

O boom imobiliário tem prazo para acabar, talvez no fim da copa de 2014, outros dizem que durante as olimpíadas de 2016, mas é certo que os preços dos imóveis já chegaram ao seu limite de valor de venda, tanto para os ricos quanto para os especuladores imobiliários, para que o mercado continue funcionando ele tende a se estabilizar e um algum tempo o preço voltar a cair.
Para que coisa fica um pouco mais compreensível um apartamento simples (2 quartos, sala, cozinha, banheiro) na Zona Norte em 2004 custava em média 70 mil reais, hoje o mesmo imóvel tem chegado a custar 180 mil reais em média, dependendo da localização e a metragem do imóvel e ainda a infra-estrutura do condomínio....
Em nenhum tempo se valorizou tanto morar em condomínio de apartamentos onde as relações sociais ficam privadas aos encontros de corredor e as áreas de lazer dentro do condomínio; onde a vida em sociedade se resume muito a vida familiar e encontro mais que ocasionais e cada vez mais o individualismo impera e imprime característica num tempo no mundo. 
Então tão logo que o condomínio não nos atende mais logo mudamos. Logo queremos construir imóveis logo prédios em condomínios com tudo que  pode haver de facilidades, logo quando isso continua num ciclo de interesse economico e de interesse sociais do individualismo de consumo - sejamos felizes.
Vende-se 
Felicidade 
Vende-se 
Um novo conceito de morar e viver na cidade.
E em breve com o fim do boom 
Vende-se deseperadamente.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Copacabana -Sacopenapã e suas histórias - primeira parte

"Copacabana, princesinha do mar 
Pelas manhãs tu és a vida a cantar
E à tardinha o sol poente
Deixa sempre uma saudade na gente."

                    Para não dizer que me esqueci de falar de Copacabana, a letra da canção te convida a lembrar da praia, do bairro, da vista e também da história.
Estar em Copa, não importa o dia ou a hora, tem sempre história e estórias para contar e encantar quem vive, frequenta ou passa. Difícil ser indiferente ao seu mar e a sua gente.
Copacabana nasce já com o privilegio de estar entre o mar e a montanha. (Aí você se pergunta que montanha que eu não vejo?) Te conto que atras daqueles imensos edifícios existem algumas montanhas lindas, algumas com comunidades outras preservadas, que serviram por longos anos como barreira de entrave de ocupação efetiva urbana antes dos anos de 1890.
Mesmo com vias sobre os morros, como a Ladeira do Leme e a Estrada do Barroso, e ainda pelo acesso da  Lagoa de Sacopenapã (Lagoa Rodrigo de Freitas) passando por onde é o corte do Morro do Cantagalo.
Foi somente com a abertura do Túnel Velho - túnel Alaor Prata - em 1892, pela Companhia Jardim Botânico carril - de Otto Simon e Paula Freitas -  que o bairro assim começava a surgir entre um empreendimento urbano e um projeto de cidade salubre diferente de toda a cidade que ficava atrás dos morros. O túnel em sua inauguração teve até a presença do presidente da Republica o sr. Floriano Peixoto. 
Os bondes que começaram a circular através do túnel, começam a trazer gente de vários lugares para se banhar nas águas salitricas e dos ares "medicinais". O bonde conduz neste tempo os corações e mentes daqueles que querem chegar em Copacabana, ainda com sua Igrejinha fincada num rochedo, onde se encontra hoje o Forte de Copacabana. As linhas de bonde em Copacabana se dividia em dois trajetos o que ia da Praça Seazerdelo Correia até Igrejinha e a outra ia até o Leme. Copacabana começa a ser descoberta e descobri o processo de urbanização e ocupação... ainda meio lento neste momento.
No período que compreende da abertura do túnel Velho até a inauguração do Copacabana Palace em 1923, o bairro ainda crescia devagar. Mas é nesta fase do surgimento do bairro que algumas coisas mais importante aconteceram. Uma dessas coisas é a abertura do túnel Novo - túnel Eng. Coelho Cintra ( que foi o engenheiro que projetou e abriu o túnel Velho), que permitiu melhor acesso ao bairro, como uma nova via ultrapassando o morro de São João, próximo a ladeira do Leme; a via foi inaugurada em 1906. Nesta mesma frente inicia-se abertura e construção da Av. Atlântica, que vai ser marca registrada do bairro. Com o intuito de melhorar a circulação do bairro a Av. N.S. de Copacabana também começa ter a ser ampliada. Para que essas duas vias se torna-se o plano de acessibilidade do bairro na época, começaram a demolição do morro do Inhánga (mas que morro é esse???) Esse morro era o marco físico oficial que dividia o bairro do Leme de Copacabana.... Com o fim do morro (ainda resta um cucuruto lá, basta procurar lá perto da praça Cardeal Arcoverde) Copacabana ganha novas extensões e também novos empreendimentos urbanos.
De certo que só com o final da construção e inauguração do hotel mais charmoso do Brasil e que Copacabana começa ganhar o seu glamour, com suas calçadas em pedras portuguesas inspiradas em calçadas de Portugal, já com ondas perpendiculares ao mar.
A foto ilustra o tempo, já com o hotel erguido e ainda o morro do Inhánga ao fundo mostrando como o homem dobra e desdobra parte da natureza ao seu jeito.
E é assim que Copacabana irá começar a surgir para mundo. O Copacabana Palace, surge para servir de hospedagem para grande Exposição do Centenário em 1922, mas ele só fica pronto um ano depois quase no final das comemorações. Mas se isso soou ruim, não se engane; ele também tinha um belo teatro e um excelente cassino na época que servia para manter o luxo e sua ostentação. E mesmo com o fim dos cassinos no Brasil (em 1946), o hotel consegui manter seu glamour, mas daí graças a outras convenções dos anos 40 e 50 - a nova boemia carioca e a Nova Copacabana.
 tem continuação ... 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SAARA - Rio de Janeiro em Dezembro

Já se foi quase o ano inteiro...
E quase tudo que se foi pretendido foi desperdiçado.
Ou conquistado.
Programa carioca de dezembro é bater perna no SAARA. E antes que você me pergunte o que é, ou pense que um deserto, aviso se São Paulo tem a 25 de março, o Rio tem o SAARA, Sociedade de Amigos da Rua da alfandega, que agrega as ruas da Alfandega, Buenos Aires, Senhor dos Passos, Regente Feijó, Conceição, Gonçalves Ledo e mais algumas ruas.
Não tem como. Essas ruas virão o fervo. Tem de quase um tudo ali.
Normalmente nesta época do ano não tem como fugir do SAARA, com o calor do Rio de Janeiro e a multidão fica um calor dobrado, mas é ótimo de fazer negócios; desde que não seja com a turma do chineses que invadiram boa parte do comercio destas vias e são difíceis de negociar, em comparação ao árabes e judeus que dominaram durantes anos o comercio local.
O SAARA vira point graças a variedade de coisas, pela quantidade de produtos de época que ficam em voga neste período, natal, ano novo... É tudo motivo para gastar mais.
E eu não fugi a regra.
Fui eu ao SAARA, alimentar a minha sede de consumo. E realizar o desejo de alguém.
Se no deserto do Saara o calor é escaldante, esses dias de fim de primavera e inicio de verão, o calor carioca escalda a pele e não dá refresco durante a noite.
E assim vamos vivendo os amores de verão sobre o calor.... que  tantos amam.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Imperator - Uma casa de show bem carioca.

Já fez um mês que o Imperator reabriu no Centro do Meier- na rua Dias da Cruz - no seu antigo endereço - totalmente remodelado, nos cuidados da prefeitura, após 16 anos de fechamento e quase abandonado.
Os interesse das igrejas neopentencostais de comprar o espaço foi grande mas não foi cumprindo (graça a Deus! O espaço das artes virar templo religioso seria um pecado muito maior para um bairro nobre quanto o Meier).
Fato que o espaço onde abriga a casa de espetáculos já foi uma escola publica, já foi o maior cinema da América Latina e também a maior casa de show do Brasil, antes da construção do Metropolitan na Barra. O tempo passou e os antigos proprietários do espaço faliram abandonado-o a própria sorte. Sorte que a população do bairro brigou e muito para ver novamente aquele imenso espaço social revitalizado e congregando com a sociedade local e da cidade.
A reinauguração feita pela prefeitura da cidade também trouxe ao Imperator um novo nome: Centro cultural João Nogueira. Que muito alegam que não tem em nada haver com o espaço e nem com o bairro. Enganam-se quem quem diz que não tem haver com o bairro, pois tem. No próprio Imperator tem hoje um espaço de memoria do cantor e compositor que viveu alguns anos no Meier nas proximidades do espaço. O Imperator tem sim muito mais história para contar que talvez o sambista - não tenha duvida - até porque ele é um espaço social da cidade, tem sua própria historiografia. Sua reabertura a população carioca é um marco e vejo como uma renovação do espaço teatral da cidade - hoje a cidade esta reabrindo os grandes teatros que a muitos andavam fechados e esquecidos.
Podemos dizer que isso é causa do entusiasmo econômico, o novo processo de desenvolvimento econômico da cidade em prol dos grandes acontecimentos esportivos ou quem sabe ao desenvolvimento do pré-sal. Fato que hoje a cidade tem mais um enorme espaço cultural moderno com multisalas, com ar condicionado, com estacionamento próprio, com acústica própria reformada, com três ambientes distintos, pronto para ter cinema, teatro, show tudo num único lugar e podendo ter mais de um evento ocorrendo no mesmo espaço atendendo os pedidos do moradores do Meier. Acho que isso voltamos valorizar o Meier que andava esquecido graças ao Norte Shopping. Quem sabe isso também não aumente a visibilidade do bairro e o seu comercio que anda meio caído.
E mesmo com o fim da era Canecão, surgi o Miranda, o Imperator, o teatro Ipanema, os espaços culturais da prefeitura, o parque de Madureira, e outro mais deverão despontar na cidade nos próximos dois anos e depois sim saberemos quais sobreviveram aos movimentos esportivos e o que restara a esta cidade de verdadeiramente bom.
Os que sobreviverem irão contar essas histórias.

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