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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Laços

Gostaria de fugir do mundo.
esquecer por tempo determinado a loucura que estamos vivendo e quem sabe pensar que isso é so um sonho ou pesadelo.

Passo os dias com a sensação de não ter feito nada ou que não to cumprindo com o que deveria fazer... nada parece suficiente.

é a sensação instigante de querer ver todos os videos do youtube que estão sendo postos no ar agora como uma tentativa de absorve o tempo ou algo que não se prende.
O tempo se esvai.
Tem gente com tédio desses dias. Eu só queria mais tempo - eu sempre com essa exigência  expressa de TEMPO.
Antes não tinha muito tempo para escrever. Hoje me dou o direito absoluto de sempre que posso escrever. Mas quero mais tempo. Preciso me organizar melhor.
Prometo vou tentar largar o Facebook ... e dar conta das coisas que realmente preciso.
Queria arrumar os armarios e limpar as gavetas - é sério.
Tem gente que diz que só falo isso a tempos e nunca cumpro... eu começo mas nunca termino.

O meu maior desafio é dar conta das ansiedades da Helena. Vira e mexe ela me aparece com algo novo pra resolver ... tem dias que eu não quero mais sair do quarto - eu ja vivi isso antes.
Tem dias que ela fica inventando: - mas eu vou combinar com o Dinei para ir no Mundial (supermercado) e comprar o que quero ..... Ou : - eu vou no mercado, você não compra que eu quero...
Ou fica contando varias coisas do passado que não resolvem nada ....
Tem outras coisas no meio desse caminho.

Aguardo a vacina pra liberar a Helena.
Helena é do grupo de risco pra COVID em todos os sentidos.... ela é super agitada - mais que eu ... não sabe usar todos os recursos do celular e vira e mexe me pede para ajudar a achar uma receita e ver algum video no youtube. Pede pra mandar as fotos para as amigas ... pede para ligar a lanterna.... pede atenção constante...
Ai diz que idoso não é criança ....

Se eu soubesse dirigir e tivesse um carro... acho que teria levado ela pra passear hoje dar um role na cidade e ver coisas diferente.

Essa pandemia ate os pobre estão em situação pior por serem desprestigiados de tudo - de internet banda larga, de transporte, de lazer alternativo via internet ou através de um carro para ir num drive in ver um filme.
Alem de faltarem outras coisas essenciais como água, comida, sabonete e dignidade .....

Não.
Não está bom.
Ontem marcamos 100 mil mortos ... e tem gente que ainda diz que é mentira....
os prefeitos querem liberar tudo logo...

Estamos nun jogo de empurra.

Eu só queria mais liberdade de tempo.. e poder ver a minha mãe poder sair com as amigas de novo ....

Nem sei se os teatros voltam a funcionar ....

Talvez depois de tudo
outras tristezas nos invada
somos tão reféns de nos mesmos .
Sentimos dor, calor,  frio, sede, fome e ausência.
Não somos super homens e nem mulheres maravilhas ...

os laços emlaçam.
prendem e dão nó.
enforcam
arrebentam
iludem

Laços enfeitam
cortinas e dedos
Amarram cadarços e cabelo
guardam cartas escondidas
e se abrem em puxão

Laços constragem
no casamento mal feito
nas relações comerciais perigosas
nos fios não cortados

Laços de sangue
de amor e de zelo
de Nelson Rodrigues
nem sempre são bonitos.



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Divina providência

Fim de outono.
O frio chegou ao carioca.
Chegou chegando, leve, moderado, a principio com dias de sol com céu azul intenso, que agora ja desabaram-se em chuva.
Ontem foi dia de Santo Antônio. Dia do santo casamenteiro. Mas já me contaram que quem casa mesmo é São José, que é padroeiro da família. Bem não entendo muito de Santo, deixa eles disputarem seus fieis, que eu sigo rezando o que sei rezar.
Dizem que quem reza seus males espanta, assim como quem canta. Talvez esteja faltando ao carioca cantar e rezar, mas muito! Porque a coisa não anda nem boa para os santos quem dira para os pecadores perdidos, como tanto roubo, assalto, morte, frio e esquecimento... 
Para cidade mais Mariana do estado, aja Ave Maria para cuidar de nós. Não tá fácil, acho que nem para ela, que não tem suas igrejas respeitadas...
Esse ano acabei não indo a igreja de Santo Antônio.... perdi a missa. Não foi por falta de desejo ou vontade ou mesmo necessidade - preciso de toda a ajuda que venha do Divino, pois a coisa ta pedreira para o meu lado; não fui por falta de dinheiro. 
Dinheiro 
Dinheiro.... 
Até pouco tempo atrás qualquer vintém me valia de boas e era festa ter 10 reais na carteira, hoje mal pago duas passagens de ônibus, nem pra deixar um troco para ajudar na igreja não dá direito.
Pode se pensar que dois reais é pouco, mas é muito quando se precisa.
Vou pedir intercessão aos Santos para que tenha mais algum vintém, mas se isso não for possível que me arrume alguém com vintém para fazer companhia nas noites frias de inverno.
Mas se nada disso ainda não for possível vou pedir a São Pedro que guarde bem a porta e a São João que me guarde, a São Jorge que me afaste o mal e a São Judas Tadeus, o das causas impossíveis, que deixe o meu caminho mais macio e meu coração cheio de esperança.


sábado, 21 de novembro de 2015

No fim de tudo

Há tempos sem escrever neste espaço, mais por falta de tempo do que de pauta.
Nestes dias de primavera, o calor tem sido de verão e as noticias dos fim dos tempos.
Uma onda de terror abala a Europa, em plena Paris.
Aqui ao lado, em Mariana, cidade histórica cheia de recantos, uma avalanche de detritos minerais invadiu a cidade; a represa de drenagem da mineração se rompeu, devastando um dos principais rios da região sudeste - o Rio Doce - um crime ambiental que não tem reparo para mais de 14 cidades que vivem a margem do rio e dele tiravam sustento e abastecia as cidades. Estrago que talvez em 30 anos consiga ser minimizado, mas não consertado.
O ano não acabou, os sonhos ainda precisam ser refeitos e conquistas realizadas.
O Estado do Rio está em eminencia de falência financeira.
O assunto do ano foi a inflação e crise econômica -  agora ela deu as caras - o natal ja chegou antes mesmo de começarmos a pensar nele.
O simbolo do Natal do Rio também sofreu um choque, antes de estar pronta a arvore da Lagoa se entortou com o vento da semana....

Entre tanta tragedias, no cinema estreou Chatô - o rei do Brasil, depois de 10 anos de delongas para sua conclusão e divulgação. Como Chatô o filme tem um ar de obra de arte como uma construção de um ser amado e odiado, faz da comunicação sua principal ferramenta de acordo com os seus interesses, onde a influencia vale tanto quanto o dinheiro.

A cidade ainda vagueia sobre seu aniversário, muito deslumbrando uma sombra odiosa do Pereira Passos.
Entre um vão e outro os trilhos do  VLT vem surgindo nas ruas do centro da cidade, reconstruindo ou reconduzindo as vias de acesso. O ressurgimento da Praça Mauá como área de lazer e de encontro, tem ficado bonita todos os dias. Logo volto a ver a Av. Central de mar a mar, esquecemos os contornos dos sacos e enseadas - aterrados de sombras, escombros e deslizes.

No fim sempre teremos um recomeço, mesmo que esse não seja como esperamos.
Daqui a mais uns dias um novo ano inicia-se e tudo que foi prometido será prometido novamente; um novo ciclo do sol sobre tempo escaldante.

domingo, 1 de março de 2015

450 anos Cidade Maravilhosa

É aniversario da Cidade maravilhosa!

Não é todo dia que se comemora 450 anos.
Mas bem que esses 450 anos poderiam ser bem melhor comemorado...
Fato que a cidade tem 2 datas de aniversário o que faz qualquer um meio doido...
Tem gente que acha que o dia é 20 de janeiro - dia do Padroeiro da cidade - dia de São Sebastião. Que de fato é uma data importante para cidade.
E a data de 1 de março dia da fundação da cidade por Estácio de Sá.

A cidade anda em polvorosa. O transito caótico. Obras para todos os lados.
As conversas falam da falta d'água e da provável falta de energia.
A cidade cresce em ritmo de bateria de escola de samba.
E antes que acabe em pizza todo o carnaval..
E melhor que termine mesmo com pasteis e cerveja gelada.

Entre um compasso e outro, a cidade anda na corda bamba da sua redescoberta constante.
Ela transpira o tempo presente de forma alucinante.
Que ela aguente essa tranqueira para no futuro alguém contar mais 450 anos de história.










domingo, 14 de dezembro de 2014

Trem

Entre uma estação e outra da Central do Brasil, muitos ambulantes passeiam pelos vagões oferecendo de quase tudo.
Nas seis linhas que partem da Central do Brasil - Santa Cruz é a mais movimentada, depois vem a linha Japeri e depois Gramacho.
No vai e vem do trem, no sacolejo da viagem, tem picolé, cadeado, fone de ouvido, cerveja, refrigerante, bolsa, kit manicure e o que sua imaginação permitir.
O trem já foi quentão. Ele em alguns horários ainda é quentão. Mas ele tem virado frescão nas horas de menor movimento e fresquinho nas horas de rush, pois o calor humano ajuda.
O trem virou chinês, coreano e badulaque.
Conhecer o Rio também passar por andar de trem e conhecer o seu comercio social especial exclusivo dos vagões.
O Trem continua sujo como na época dos vagões de madeira, contudo ta ficando mais sociável que o metro.
Entre uma linha e outra, tem diferenças comerciais e formas de vender. Quem circula em todas consegue ver a diferenças sutis de uso e sociabilidade.
Antem havia diferença entre Leopoldina e Central - hoje tudo parte da Pedro II e ninguém mais lembra da princesa surgiu primeiro e seu espaço imponente esquecido em frente ao Canal do Mangue, em São Cristóvão - a Estação Leopoldina. Um dia vira museu ou sucata social, tanto é o desprezo que tiveram por ser melhor.
O trem nosso de cada dia circula direto nas linhas da Central do Brasil e tem parada obrigatória hoje na estação Maracanã e depois Madureira. Fico triste com esquecimento que tem sido dado ao Engenho de Dentro - berço das oficinas e da manutenção das máquina, o que restou foi um monstrengo estádio atual do Engenhão e o esquecido Museu do Trem.

Eu vou embora agora que se eu perder esse trem só amanhã de manhã.
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