
Era pra estar dormindo as 3h30 da
manhã.
Minha mãe
estava sem sono - dormiu a tarde toda.
Ela adora
falar de coisas do passado - o baú é grande.
Fica
comparando coisas e que muitas vezes digo que são incomparáveis.
Mas essa
coisa de revirar o baú do passado em uma quarentena sem sono rendeu.
Rendeu tanto
que to aqui escrevendo.
Fui longe no
passado - fui para no seculo XIX na chegada do meu bisavó ao Brasil.( eu já contei essa história aqui do velho Henrique,
que descobri que de fato é Heinrich Maria)
A minha mãe tem mania de ficar falando da família que está longe - longe mesmo - ali no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e outros lugares que não sei ao certo - mas estão longe.
Estar longe as vezes é muito bom. Faz a saudade aumentar. As vezes estar longe é muito ruim, porque faz a ausência ser lembrada.
Eu não moro e nunca morei no Rio Grande do Sul - apesar de vira e mexe alguém insisti em dizer que ja morei lá - como assim? Já fui lá algumas vezes - muitas - visitando a família e passeando - estreitando laços.
Desde do falecimento do meu pai as viagem ao RGS diminuíram muito. Depois veio o falecimento do meu avô, de um primo de segundo grau, da minha tia, da minha avó - a venda do terreno dos meus avós.
Os laços que
eram estreitos foram se alargando tanto que foram perdendo o sentido.
Quem somos
nós nessa fila do pão?
Minha mãe me
lembrou da família do lado da minha avó- do velho Heinrich - onde estão os Von
Zuccamaglios?
Não ganhei o
sobrenome pois minha avó perdeu quando casou com meu avô o sr. João Adolino
Lauffer - é de onde vem o meu sobrenome do meio que quase não uso.
O fato que
nessa loucura de tentar ajudar a minha mãe dormir, acabei acordando de vez na
procurar de saber o paradeiro dessa gente estranha que não conheço - é sério!
Na pesquisa pelo Google - pai de todas as pesquisas atuais - achei uma família no Michigan - EUA que tinha toda a genealogia dos Zuccamaglios para minha surpresa- com fotos e uma genealogia bem legal. Mas sem a minha parte da família - mas isso tenho em casa ! eureka!
Uma coisa já sabia que a família deveria ter vindo da Itália - isso ok! mas veio de Verona.
Que o Von -
apesar de todo o status foi forçado e pagaram alto por isso.
Que o primo
de segundo grau do meu bisavó foi um homem famoso poeta, escritor, letrista,
folclorista e solteiro até onde eu entendi.
O que tem de família desses Zuccamaglios são poucos - mas mantem alguma audácia.
E que esse
laço pra mim é só história pra contar.
Porque de
fato o que sei foi o que a minha mãe me conta e que a mãe dela contava pra ela
e que o meu bisavó contava a minha avó - são histórias que são contadas.
Qual é a sua história?
A minha passa por esse fato de ter um baú de passado de histórias cheias de enredos estranhos, com viagens com janelas de ônibus e pessoas esperando na rodoviária ou não.
O tempo apaga algumas coisas mas permite também guardar outras.
Nestes tempo de quarentena quantos estão sem família, sozinhos, ausentes e esquecidos ?
Lembramos da
ausência do abraço daquele que amamos.
Mas e
daqueles que não conhecemos continuam sendo desconhecidos e ausentes ....
Estar
sozinho ou ser sozinho nesta mansidão de gente - tendo uma família que não te
conhece ou te desconhece - é como estar numa ilha e ver o mar e acreditar na
solidão perpetua - não tem jangada ou barco ou navio para levar para outro
lugar.
Então se você conhece alguém que está sozinho de um oi, faça um gesto de carinho nem que seja de longe mesmo.
Ainda
estamos vivos.